5 de setembro de 2017

Humanos e Padrões

Nós crescemos sendo acostumados a nos encaixar nas especulações de outras pessoas sobre nós, a preservar a tradição do sigilo. A verdade tarda e esmurra o nosso portão quando vem. Dá sermão, te lembra o quanto tudo anda mal e te mostra o porquê aquilo não está dando certo. De uma coisa você pode ter certeza! Um dia você vai se questionar sobre tudo que tem vivido, como tem escolhido os simples detalhes da sua rotina e como tem lidado com a sua companhia. E desde então este ciclo será repetitivo.

Viemos a este mundo e fomos acolhidos pela sociedade que pediu em troca o nosso sigilo, a nossa invalidez, que satisfizéssemos as expectativas estipuladas para nós e que enxergássemos uma realidade desbotada. Que mantivéssemos a tradição do sigilo. A gente cresce, se desenvolve e se depara com a verdade - que tarda, mas que, arrebatadora, esmurra o nosso portão quando vem. Dá sermão, nos revela o quanto tudo é monótono e nos mostra porque a tentativa de insistir em planos inertes não é um caminho de satisfação pessoal.

Uma coisa é certeira: um dia você vai se questionar sobre tudo que tem vivido, como tem escolhido os simples detalhes da sua rotina e como tem lidado com a sua companhia. E desde então este ciclo será repetitivo.

Planos traçados, opiniões formadas e de repente algo mais forte e externo desconstrói tudo isso. E esse é justamente o momento de refletir como nós vivemos. Como nós nos comportamos, como agimos para com as outras pessoas, como olhamos para fora... os nossos sentimentos se tornam cada vez mais intensos e a sensação de não-pertencimento a esse mundo vem à tona. Nós nos esforçamos durante tanto tempo para nos adaptar a um desejo extrínseco e tudo isso se desfalece?

A gente sempre usou a possibilidade de se enquadrar em padrões como uma necessidade, uma característica fundamental à vida. A gente deixou de usar as roupas que queríamos, falar do nosso jeito e decidiu olhar para tudo com frieza, indiferença. A gente decidiu se transformar para se igualar porque parece ser mais conveniente. E quem disse isso para a gente? Quem invadiu nossas mentes para plantar a obrigação de andar na risca?

Porque criamos bolhas a nossa volta ao invés de refletirmos e eliminarmos tudo aquilo que nos coíbe? São as reações à possibilidade de sermos diferentes? São as turbulências?

Convenhamos que se esforçar para encaixar-se em um padrão para satisfazer questões externas nunca foi percurso de gente que quer ser feliz do jeito que é. E é por isso que nós vamos seguir, de um jeito ou de outro.

Pode ser que isso seja um sacrifício e que consigamos nos manter estáveis sob linhas muito tênues..., mas é muito mais provável que na metade do caminho percebamos que a possibilidade de ser algo totalmente novo de qualquer coisa desse mundo é ter o privilégio de nunca se preocupar com a discrepância. O mundo dos iguais vive em modo estacionário e o universo dos loucos é um baú de experiências novíssimas.

Portanto, não admitamos que as nossas parcelas de particularidades sejam extintas porque é mais conveniente uma raça pálida, entediada, descrente. Assumamos o compromisso de nos honrar todos os próximos dias, e se fracassarmos, ainda há tempo disposto a mais tentativas.

Transforme-se e faça o possível por todos os outros que estão prestes a se renderem.

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