11 de janeiro de 2018

"The end of the fucking world" é uma junção excêntrica de romance, comédia e terror numa série britânica da Netflix

A série da vez é The end of the fucking world, uma produção britânica da Netflix inspirada na obra de Charles Forsman, que estreou no Brasil no dia 05 desse mês. A série é protagonizada por dois adolescentes insatisfeitos com suas vidas que caem na estrada em busca da liberdade longe dos pais.

Alyssa é uma adolescente de 17 anos sem papas na língua que mora com a mãe, um padrasto totalmente abusivo e os dois bebês desse casal, já que seu pai foi embora há anos e só dá sinal de vida quando a manda cartões de aniversário. James é, em contrapartida, um jovem solitário e calado que acredita ser psicopata. Mora apenas com o pai porque sua mãe faleceu quando ele era criança.

A dupla totalmente adversa se conhece no refeitório na escola e não poderia dar mais certo: pegam o carro e caem na estrada, de repente, em busca de reencontrar o pai de Alyssa e construir uma nova história. O destino é totalmente improvável e eles descobrem as surpresas do percurso com o espectador.

Os 8 episódios da temporada retratam a empreitada que, como qualquer viagem mal-planejada, tem seus imprevistos. Cada episódio traz uma crise desse convívio, o que vai firmando ainda mais a relação dos dois a partir de suas diferenças. É incrível como a personalidade deles vai se transformando e se acentuando a medida que os dilemas do percurso vão surgindo. De um convívio totalmente inesperado, surge uma relação ainda mais improvável, que vai se construindo ao longo da obra.

Envolvendo rebeldia e muitos outros segredos, The end of the fucking world pode ser encarada como uma história de superação numa convivência inesperada. Apesar de abordar a rebeldia de dois adolescentes, consegue fugir do perfil clichê das séries jovens quando envolve terror e romance em uma só produção.

Pra quem é apaixonado por fotografia e estilo vintage, essa série não deixa a desejar de forma alguma. As cores, cenários e figurinos são impecáveis, fazendo os olhos brilharem. The end of the fucking world é um exemplo impecável de atuação + originalidade + fotografia. Portanto, se você quer assistir algo leve, rápido e com uma boa narrativa, esta é uma ótima pedida para uma maratona.

30 de dezembro de 2017

Malabarize-se!


arquibancadas
de sonhos
de desencontros
e desencantos

entre míseros
e excessivos
públicos

a arte
do espetáculo
é não desistir

malabarize-se!

Duas mil
e muitas outras
emoções
estão por vir!

Feliz 2018!

13 de novembro de 2017

Mergulho em tentativa

Eu tentei
Eu juro que tentei
É tudo tão amargo
quanto um doce pedaço
de ruptura

Creio que todo o plantio de meus quereres
tenha germinado lembranças indevidamente
presentes e
pretéritas

Eu já disse que tentei
E foi [exatamente] por
excesso
de tentar
que'u suplico

hoje sei, e digo
o ontem já não é mais verdade
e o que resta, então?
lembranças

verdades
destiladas
corriqueiramente
lembranças

eu tentei
eu juro que tentei
desencanto
não é
desalentar

20 de outubro de 2017

Resenha: Duas de mim

Filme brasileiro chega aos cinemas com uma história bem leve e divertida



Eu sempre gosto de dar uma chance para filmes brasileiros, principalmente comédias. Um dia desses eu fui ao cinema e assisti Duas de mim, uma produção protagonizada por Thalita Carauta e diversos outros nomes da dramaturgia nacional.                                                                                    

A personagem interpretada por Thalita Carauta se chama Suryellen, e é uma típica brasileira que trabalha duro para sustentar a casa e garantir um futuro melhor para seu filho. Ela vive com ele, sua mãe e sua irmã num bairro simples do Rio de Janeiro. Você com certeza vai se identificar ou lembrar de alguma Suryellen da vida real.

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Suryellen tem dois empregos: acorda às 4 da manhã para fazer marmitas e vendê-las nos arredores e trabalha na cozinha de um renomado restaurante. Vinte e quatro horas é pouco para todos os papéis que ela precisa desempenhar: cozinheira, dona de casa, mãe, irmã, filha... uma loucura!

O filme é muito divertido pois mostra como a vida da personagem vai se transformando e como as coisas vão fluindo. Logo no começo ela conhece uma confeiteira que lhe dá uma fatia do bolo dos desejos, que lhe dá o direito de fazer um pedido. Suryellem, já muito cansada da rotina e se sentindo insuficiente, solicita uma clone. E é a partir daí que as coisas se avessam.

É possível interpretar a obra de muitas formas. Um ponto que me incomodou foi a forma como a irmã de Suryellem é retratada: a solteira "inocente" que sempre está em busca de um homem que garanta seu futuro. De outro lado temos Suryellem exercendo diversos papéis importantíssimos e representando a realidade de muitas famílias brasileiras. Acho mais do que justo que uma produção brasileira fale sobre nós. E é esta a sensação de assistir Duas de mim. A arte imita a vida! Com certeza vale a ida ao cinema para conhecer essa produção!

O elenco conta ainda com a atuação de Latino, Letícia Lima, Márcio Garcia, Alessandra Maestrini, Maria Gladys e outros nomes.
Nota:

5 de setembro de 2017

Humanos e Padrões

Nós crescemos sendo acostumados a nos encaixar nas especulações de outras pessoas sobre nós, a preservar a tradição do sigilo. A verdade tarda e esmurra o nosso portão quando vem. Dá sermão, te lembra o quanto tudo anda mal e te mostra o porquê aquilo não está dando certo. De uma coisa você pode ter certeza! Um dia você vai se questionar sobre tudo que tem vivido, como tem escolhido os simples detalhes da sua rotina e como tem lidado com a sua companhia. E desde então este ciclo será repetitivo.

Viemos a este mundo e fomos acolhidos pela sociedade que pediu em troca o nosso sigilo, a nossa invalidez, que satisfizéssemos as expectativas estipuladas para nós e que enxergássemos uma realidade desbotada. Que mantivéssemos a tradição do sigilo. A gente cresce, se desenvolve e se depara com a verdade - que tarda, mas que, arrebatadora, esmurra o nosso portão quando vem. Dá sermão, nos revela o quanto tudo é monótono e nos mostra porque a tentativa de insistir em planos inertes não é um caminho de satisfação pessoal.

Uma coisa é certeira: um dia você vai se questionar sobre tudo que tem vivido, como tem escolhido os simples detalhes da sua rotina e como tem lidado com a sua companhia. E desde então este ciclo será repetitivo.

Planos traçados, opiniões formadas e de repente algo mais forte e externo desconstrói tudo isso. E esse é justamente o momento de refletir como nós vivemos. Como nós nos comportamos, como agimos para com as outras pessoas, como olhamos para fora... os nossos sentimentos se tornam cada vez mais intensos e a sensação de não-pertencimento a esse mundo vem à tona. Nós nos esforçamos durante tanto tempo para nos adaptar a um desejo extrínseco e tudo isso se desfalece?

A gente sempre usou a possibilidade de se enquadrar em padrões como uma necessidade, uma característica fundamental à vida. A gente deixou de usar as roupas que queríamos, falar do nosso jeito e decidiu olhar para tudo com frieza, indiferença. A gente decidiu se transformar para se igualar porque parece ser mais conveniente. E quem disse isso para a gente? Quem invadiu nossas mentes para plantar a obrigação de andar na risca?

Porque criamos bolhas a nossa volta ao invés de refletirmos e eliminarmos tudo aquilo que nos coíbe? São as reações à possibilidade de sermos diferentes? São as turbulências?

Convenhamos que se esforçar para encaixar-se em um padrão para satisfazer questões externas nunca foi percurso de gente que quer ser feliz do jeito que é. E é por isso que nós vamos seguir, de um jeito ou de outro.

Pode ser que isso seja um sacrifício e que consigamos nos manter estáveis sob linhas muito tênues..., mas é muito mais provável que na metade do caminho percebamos que a possibilidade de ser algo totalmente novo de qualquer coisa desse mundo é ter o privilégio de nunca se preocupar com a discrepância. O mundo dos iguais vive em modo estacionário e o universo dos loucos é um baú de experiências novíssimas.

Portanto, não admitamos que as nossas parcelas de particularidades sejam extintas porque é mais conveniente uma raça pálida, entediada, descrente. Assumamos o compromisso de nos honrar todos os próximos dias, e se fracassarmos, ainda há tempo disposto a mais tentativas.

Transforme-se e faça o possível por todos os outros que estão prestes a se renderem.

26 de julho de 2017

Resenha: 3%

Semana de recesso + Netflixa melhor combinação! Eu sempre fico muito indeciso quando vou escolher algo pra assistir, porque o catálogo tem uma infinidade de títulos. Dessa vez eu fiz uma ótima escolha e vim contar pra vocês o que eu achei sobre 3%.


Sinopse:
Em um futuro pós-apocalíptico não muito distante, o planeta é um lugar devastado. O Continente é uma região do Brasil miserável, decadente e escassa de recursos. Aos 20 anos de idade, todo cidadão recebe a chance de passar pelo Processo, uma rigorosa seleção de provas físicas, morais e psicológicas que oferece a chance de ascender ao Maralto, uma região onde tudo é abundante e as oportunidades de vida são extensas. Entretanto, somente 3% dos inscritos chegarão até lá. 

Opinião:
3% coloca em cheque todas as convicções dos personagens a partir do momento em que é preciso deixá-las de lado para se manter no Processo. A série retrata a vida em "dois mundos": um completamente miserável (o Continente) que comporta a maioria da população e outro totalmente abundante (o Maralto) que oferece a vida perfeita para 3%.

Quando completa 20 anos, todo cidadão tem uma única chance de adentrar ao Processo e integrar o grupo restrito. Provas psicológicas e físicas são colocadas a todo momento para testar os pontos fracos e fortes dos participantes, o que deixa a história muito mais emocionante já que tudo pode acontecer. As etapas, no início, são muito leves e vão ficando cada vez mais agressivas e desafiadoras, tudo isto para que realmente resistam apenas os 3% que têm mais mérito para ascender-se.
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Os ideais que motivam a maioria dos participantes é a busca por uma vida melhor, manter a tradição da família de serem aprovados ou até se infiltrarem para destruir a barreira que divide os dois mundos. Para isso eles fraudam, corrompem, vão contra seus ideias. Estas e outras motivações vão sendo apontadas no desenrolar dos capítulos.

É impossível não se envolver e se sentir um dos candidatos. Eu fui assistindo e me questionando se eu mesmo teria coragem de fazer o que eles fizeram, e acho que uma reflexão muito válida após assistir a série é: o que você faria pelo seu maior sonho?

Esta é a primeira série brasileira produzida pela Netflix. São 8 episódios de mais ou menos 50 minutos que não deixam a desejar na maioria do tempo. Eu a iniciei numa noite e terminei na manhã seguinte, então dá pra assistir tudo bem rápido (é praticamente obrigatório maratonar, a gente se prende muito!)


"Você é o criador do seu próprio mérito"
E você? O que acha de tudo isso?

Nota: