26 de agosto de 2018

Percursos

Existem pessoas que viajam conosco por longos percursos, em cada quebra-molas da história, vivendo felicidades e angústias. Existem pessoas que atravessam o nosso caminho apenas para mostrar-nos o quanto as coisas são passageiras e mutáveis e o quanto nós também somos passeantes nesse mundo de caos e prazer.

Conviver com quem chega e decide ficar é uma oportunidade de se sentir acompanhado por longo prazo, mas desfrutar de rápidas experiências com pessoas passageiras ensina muito mais. São as "não duráveis" que não nos poupam das verdades mais agudas e nos expõe aos ris(c)os mais sinceros. Afinal, depois que tudo se vai, ninguém deveria se sentir só portando a própria companhia.

Quem garante que não somos nós os passageiros da história? Mais uma surpresa da estrada: a gente se descobre a cada palmo de asfalto.

E as melhores histórias que vivemos são ao lado dos que não sinalizam chegadas e nem partidas, pois esses migrantes sabem que na curta história que temos para escrever, sublinhar e abrir aspas, as entrelinhas garantem nossos infinitos e os prazos do tempo limitam a descoberta de quem somos nós.

Que não nos acomodemos e nem tenhamos medo da descoberta.

XOXO.

30 de abril de 2018

3% deu sua ordem e quer saber: de que lado você está?

A espera acabou: já é possível conhecer o Maralto nas telas da Netflix. O serviço de streaming disponibilizou a segunda temporada de 3% na sexta (27) superando as expectativas e trazendo muito mais do que todos esperávamos ver.

A primeira temporada da obra é totalmente ambientada e vivida ainda no processo 104, que objetiva levar 3% dos participantes a uma vida sem dor e sem miséria, mas nesta já temos algumas diferenças: finalmente conhecemos o "lado de lá" - marcado pelo sucesso de quem superou o processo - e o Continente, daqueles que fracassaram e que perambulam em busca de uma vida digna ou filiar-se à causa e detonar o esperado processo 105, o mais importante da história.

Jardins lindíssimos e cenas de litoral compõem o Maralto naquela atmosfera já criada na primeira temporada, com tecnologia de ponta e fartura, enquanto o continente rebate sem surpreender e se mantém num ambiente caracterizado pela miséria e pelo fracasso de quem ficou pra trás. Em alguns momentos a série provoca confusão, porque o prédio do processo e o Maralto acabam se parecendo muito (internamente), o que faz o espectador se questionar como esse personagem foi parar ali? Mas nada que comprometa num aspecto geral.

Os personagens estão mais bem construídos e cada vez mais intensos, apesar de nunca deixarem tão claro sobre aquilo que acreditam e defendem, gerando muita expectativa sobre o futuro e o resultado do processo que vem em breve. Eles vão surpreender bastante e causar diversas reviravoltas decisivas ao longo da temporada. Esse é o momento que o espectador vai eleger seu personagem favorito, seja pelo que ele é ou por aquilo que acredita (ou pelos dois!)

Flashback's ganham força resgatando muitos detalhes dos processos anteriores. Novos personagens entram em cena, mas o protagonismo praticamente se mantém com Joana (Vaneza Oliveira), Rafael (Rodolfo Valente), Michele (Bianca Comparato) e Fernando (Michel Gomes). Destaque para a Vaneza que atua incrivelmente na série e mostra o tipo de personagem que a gente quer ver: que luta intensamente pelo que acredita.

Talvez os dez capítulos não sejam tão bem recebidos até mesmo para os fãs da distopia. A história parece não caminhar, visto que a temporada começa cinco dias ante ao processo 105 e ainda assim não satisfaz a curiosidade sobre ele, que é o mais importante da história (como já dito por Ezequiel no trailer oficial).

As cenas do Maralto foram gravadas no Instituto Inhotim, o maior museu à céu aberto do mundo, então, antes mesmo de assistir a obra, é possível se deliciar com as paisagens do parque. O lugar é igualmente mágico, pessoalmente e nas telas. Esse é um dos pontos mais importantes da segunda temporada: a fotografia melhorou 100% e as locações também.

Processo ou Causa, Maralto ou Continente: de que lado você está?

17 de abril de 2018

Os melhores aplicativos de edição (gratuitos) para celular

Quem manja ao menos um pouco sobre fotografia sabe reconhecer que uma boa edição é fundamental para uma foto bonita (mas não vá pensando que um olhar fotográfico apurado não importa, porque importa demais!). Há uns bons anos eu decidi experimentar mais dessa arte e suas possibilidades, compartilhando muito disso no meu instagram. Alguns downloads não foram tão animadores, e em todos os testes que fiz, descobri os melhores aplicativos de edição para celular e trouxe alguns deles hoje pra vocês.

O primeiro é o LightRoom Mobile: o queridinho do momento. Este app tem ferramentas muito úteis e práticas, garantindo edições lindas até naquelas fotos que você não imagina. Ele tem uma pasta com diversas pré definições disponíveis para você usar e adaptar gratuitamente. Uma simples e rápida correção em brilho, contraste e luminosidade pode deixar qualquer foto bem mais atrativa, eu garanto! Pra quem trabalha com redes sociais e precisa de praticidade, esse é o app ideal!

O Airbrush é ótimo pra quem adora uma selfie e faz todas (ou a maior parte) de suas fotos pelo celular. Com ele é possível corrigir imperfeições do rosto, remover manchas, clarear os dentes e muitas outras funcionalidades (mas não se prende nisso, tá?) Ele também oferece filtros bem variados que ficam à disposição do usuário. Útil, né?

Se você curte aquelas fotos com efeitos envelhecidos e luminosos, com certeza vai aprovar o Afterlight. Esse conta com máscaras incríveis para você aplicar sob a sua foto. Sua sessão paga oferece ainda diversas molduras polaroid, mas quem não achar que vale o investimento, a versão grátis já satisfaz bastante.

O Feed Master é pra quem quer planejar o feed antes de postar. Eu uso pra testar composições, esquemas de cor, etc. Com ele você pode substituir, apagar e reorganizar as fotos pra deixar o mais harmônico possível. Pra quem não liga para organização de feed, mas quer manter uma frequência de postagens, essa pode ser uma ótima ferramenta!

Tem mais algum aplicativo imperdível que você usa? Deixa o nome aí nos comentários que eu quero testar!

2 de março de 2018

Folia ferida

Nossa vida
é nossa ferida
que agoniza
no meio dos confetes
do carnaval
e da purpurina
que resta
aos corpos

aos amontoados de
lembranças
n'avenida

Nossa vida
é bebida amarga
e gelada
que
mexe com a mente

Nossa vida
não cicatriza
em
quatro dias
de folia

Nossa vida
dói,
ainda
lateja
a espera
da
próxima
azia

Sentimento fraco
que destila

7 de fevereiro de 2018

"Degrassi: Next Class" é netflix, colegial, canadense e fora de padrões

A canadense "Degrassi" cumpre perfeitamente os quesitos de uma produção adolescente, enquanto foge dos clichês e das convencionalidades das séries desta temática. Envolvendo diversas histórias paralelas em episódios curtos, aborda todos os possíveis desafios da fase jovem.

Pensar em uma produção adolescente com ambientação no colégio é pensar logo em um looser de filme americano, uma nerd com baixa autoestima e o jogador mais bonito e desejado do time de basquete. E Degrassi vem exatamente para destruir todos esses padrões que vemos nas séries deste segmento.

Degrassi: Next Class supera as expectativas em diversos quesitos. O primeiro deles é que foge totalmente dos clichês americanos. Nela, o time da escola que recebe destaque não é o de basquete masculino: são as garotas do vôlei. A narrativa não é sobre um queda da nerd pelo garoto mais desejado do rolê. Além de contar com várias histórias e personagens bem construídos, tem o cuidado de abordar temas muito importantes como o feminismo, o empoderamento negro e questão imigrante.

Os problemas enfrentados pelos personagens são reais. Você com certeza já passou por pelo menos um dos perrengues retratados na série - principalmente se já integrou um grêmio estudantil ou algum grupo parecido.

Uma característica muito positiva ao longo da produção é que os personagens vão se transformando. A maioria deles têm personalidades diversas, o que é motivo de ainda mais conflitos da convivência estudantil. O elenco é muito diverso e os desejos de seus respectivos personagens são muito bem representados pelas atuações deles. Todos os grupos são retratados na séries: os populares, nerds, gamers, heterossexuais, homossexuais, negros... todos têm espaço!
Então se você busca uma série inteligente de jovens que estão tentando se encontrar, Degrassi pode ser uma ótima pedida para um final de semana de maratona!

11 de janeiro de 2018

"The end of the fucking world" é uma junção excêntrica de romance, comédia e terror numa série britânica da Netflix

A série da vez é The end of the fucking world, uma produção britânica da Netflix inspirada na obra de Charles Forsman, que estreou no Brasil no dia 05 desse mês. A série é protagonizada por dois adolescentes insatisfeitos com suas vidas que caem na estrada em busca da liberdade longe dos pais.

Alyssa é uma adolescente de 17 anos sem papas na língua que mora com a mãe, um padrasto totalmente abusivo e os dois bebês desse casal, já que seu pai foi embora há anos e só dá sinal de vida quando a manda cartões de aniversário. James é, em contrapartida, um jovem solitário e calado que acredita ser psicopata. Mora apenas com o pai porque sua mãe faleceu quando ele era criança.

A dupla totalmente adversa se conhece no refeitório na escola e não poderia dar mais certo: pegam o carro e caem na estrada, de repente, em busca de reencontrar o pai de Alyssa e construir uma nova história. O destino é totalmente improvável e eles descobrem as surpresas do percurso com o espectador.

Os 8 episódios da temporada retratam a empreitada que, como qualquer viagem mal-planejada, tem seus imprevistos. Cada episódio traz uma crise desse convívio, o que vai firmando ainda mais a relação dos dois a partir de suas diferenças. É incrível como a personalidade deles vai se transformando e se acentuando a medida que os dilemas do percurso vão surgindo. De um convívio totalmente inesperado, surge uma relação ainda mais improvável, que vai se construindo ao longo da obra.

Envolvendo rebeldia e muitos outros segredos, The end of the fucking world pode ser encarada como uma história de superação numa convivência inesperada. Apesar de abordar a rebeldia de dois adolescentes, consegue fugir do perfil clichê das séries jovens quando envolve terror e romance em uma só produção.

Pra quem é apaixonado por fotografia e estilo vintage, essa série não deixa a desejar de forma alguma. As cores, cenários e figurinos são impecáveis, fazendo os olhos brilharem. The end of the fucking world é um exemplo impecável de atuação + originalidade + fotografia. Portanto, se você quer assistir algo leve, rápido e com uma boa narrativa, esta é uma ótima pedida para uma maratona.