7 de fevereiro de 2018

"Degrassi: Next Class" é netflix, colegial, canadense e fora de padrões

A canadense "Degrassi" cumpre perfeitamente os quesitos de uma produção adolescente, enquanto foge dos clichês e das convencionalidades das séries desta temática. Envolvendo diversas histórias paralelas em episódios curtos, aborda todos os possíveis desafios da fase jovem.

Pensar em uma produção adolescente com ambientação no colégio é pensar logo em um looser de filme americano, uma nerd com baixa autoestima e o jogador mais bonito e desejado do time de basquete. E Degrassi vem exatamente para destruir todos esses padrões que vemos nas séries deste segmento.

Degrassi: Next Class supera as expectativas em diversos quesitos. O primeiro deles é que foge totalmente dos clichês americanos. Nela, o time da escola que recebe destaque não é o de basquete masculino: são as garotas do vôlei. A narrativa não é sobre um queda da nerd pelo garoto mais desejado do rolê. Além de contar com várias histórias e personagens bem construídos, tem o cuidado de abordar temas muito importantes como o feminismo, o empoderamento negro e questão imigrante.

Os problemas enfrentados pelos personagens são reais. Você com certeza já passou por pelo menos um dos perrengues retratados na série - principalmente se já integrou um grêmio estudantil ou algum grupo parecido.

Uma característica muito positiva ao longo da produção é que os personagens vão se transformando. A maioria deles têm personalidades diversas, o que é motivo de ainda mais conflitos da convivência estudantil. O elenco é muito diverso e os desejos de seus respectivos personagens são muito bem representados pelas atuações deles. Todos os grupos são retratados na séries: os populares, nerds, gamers, heterossexuais, homossexuais, negros... todos têm espaço!
Então se você busca uma série inteligente de jovens que estão tentando se encontrar, Degrassi pode ser uma ótima pedida para um final de semana de maratona!

11 de janeiro de 2018

"The end of the fucking world" é uma junção excêntrica de romance, comédia e terror numa série britânica da Netflix

A série da vez é The end of the fucking world, uma produção britânica da Netflix inspirada na obra de Charles Forsman, que estreou no Brasil no dia 05 desse mês. A série é protagonizada por dois adolescentes insatisfeitos com suas vidas que caem na estrada em busca da liberdade longe dos pais.

Alyssa é uma adolescente de 17 anos sem papas na língua que mora com a mãe, um padrasto totalmente abusivo e os dois bebês desse casal, já que seu pai foi embora há anos e só dá sinal de vida quando a manda cartões de aniversário. James é, em contrapartida, um jovem solitário e calado que acredita ser psicopata. Mora apenas com o pai porque sua mãe faleceu quando ele era criança.

A dupla totalmente adversa se conhece no refeitório na escola e não poderia dar mais certo: pegam o carro e caem na estrada, de repente, em busca de reencontrar o pai de Alyssa e construir uma nova história. O destino é totalmente improvável e eles descobrem as surpresas do percurso com o espectador.

Os 8 episódios da temporada retratam a empreitada que, como qualquer viagem mal-planejada, tem seus imprevistos. Cada episódio traz uma crise desse convívio, o que vai firmando ainda mais a relação dos dois a partir de suas diferenças. É incrível como a personalidade deles vai se transformando e se acentuando a medida que os dilemas do percurso vão surgindo. De um convívio totalmente inesperado, surge uma relação ainda mais improvável, que vai se construindo ao longo da obra.

Envolvendo rebeldia e muitos outros segredos, The end of the fucking world pode ser encarada como uma história de superação numa convivência inesperada. Apesar de abordar a rebeldia de dois adolescentes, consegue fugir do perfil clichê das séries jovens quando envolve terror e romance em uma só produção.

Pra quem é apaixonado por fotografia e estilo vintage, essa série não deixa a desejar de forma alguma. As cores, cenários e figurinos são impecáveis, fazendo os olhos brilharem. The end of the fucking world é um exemplo impecável de atuação + originalidade + fotografia. Portanto, se você quer assistir algo leve, rápido e com uma boa narrativa, esta é uma ótima pedida para uma maratona.

30 de dezembro de 2017

Malabarize-se!


arquibancadas
de sonhos
de desencontros
e desencantos

entre míseros
e excessivos
públicos

a arte
do espetáculo
é não desistir

malabarize-se!

Duas mil
e muitas outras
emoções
estão por vir!

Feliz 2018!

13 de novembro de 2017

Mergulho em tentativa

Eu tentei
Eu juro que tentei
É tudo tão amargo
quanto um doce pedaço
de ruptura

Creio que todo o plantio de meus quereres
tenha germinado lembranças indevidamente
presentes e
pretéritas

Eu já disse que tentei
E foi [exatamente] por
excesso
de tentar
que'u suplico

hoje sei, e digo
o ontem já não é mais verdade
e o que resta, então?
lembranças

verdades
destiladas
corriqueiramente
lembranças

eu tentei
eu juro que tentei
desencanto
não é
desalentar

20 de outubro de 2017

Resenha: Duas de mim

Filme brasileiro chega aos cinemas com uma história bem leve e divertida



Eu sempre gosto de dar uma chance para filmes brasileiros, principalmente comédias. Um dia desses eu fui ao cinema e assisti Duas de mim, uma produção protagonizada por Thalita Carauta e diversos outros nomes da dramaturgia nacional.                                                                                    

A personagem interpretada por Thalita Carauta se chama Suryellen, e é uma típica brasileira que trabalha duro para sustentar a casa e garantir um futuro melhor para seu filho. Ela vive com ele, sua mãe e sua irmã num bairro simples do Rio de Janeiro. Você com certeza vai se identificar ou lembrar de alguma Suryellen da vida real.

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Suryellen tem dois empregos: acorda às 4 da manhã para fazer marmitas e vendê-las nos arredores e trabalha na cozinha de um renomado restaurante. Vinte e quatro horas é pouco para todos os papéis que ela precisa desempenhar: cozinheira, dona de casa, mãe, irmã, filha... uma loucura!

O filme é muito divertido pois mostra como a vida da personagem vai se transformando e como as coisas vão fluindo. Logo no começo ela conhece uma confeiteira que lhe dá uma fatia do bolo dos desejos, que lhe dá o direito de fazer um pedido. Suryellem, já muito cansada da rotina e se sentindo insuficiente, solicita uma clone. E é a partir daí que as coisas se avessam.

É possível interpretar a obra de muitas formas. Um ponto que me incomodou foi a forma como a irmã de Suryellem é retratada: a solteira "inocente" que sempre está em busca de um homem que garanta seu futuro. De outro lado temos Suryellem exercendo diversos papéis importantíssimos e representando a realidade de muitas famílias brasileiras. Acho mais do que justo que uma produção brasileira fale sobre nós. E é esta a sensação de assistir Duas de mim. A arte imita a vida! Com certeza vale a ida ao cinema para conhecer essa produção!

O elenco conta ainda com a atuação de Latino, Letícia Lima, Márcio Garcia, Alessandra Maestrini, Maria Gladys e outros nomes.
Nota:

5 de setembro de 2017

Humanos e Padrões

Nós crescemos sendo acostumados a nos encaixar nas especulações de outras pessoas sobre nós, a preservar a tradição do sigilo. A verdade tarda e esmurra o nosso portão quando vem. Dá sermão, te lembra o quanto tudo anda mal e te mostra o porquê aquilo não está dando certo. De uma coisa você pode ter certeza! Um dia você vai se questionar sobre tudo que tem vivido, como tem escolhido os simples detalhes da sua rotina e como tem lidado com a sua companhia. E desde então este ciclo será repetitivo.

Viemos a este mundo e fomos acolhidos pela sociedade que pediu em troca o nosso sigilo, a nossa invalidez, que satisfizéssemos as expectativas estipuladas para nós e que enxergássemos uma realidade desbotada. Que mantivéssemos a tradição do sigilo. A gente cresce, se desenvolve e se depara com a verdade - que tarda, mas que, arrebatadora, esmurra o nosso portão quando vem. Dá sermão, nos revela o quanto tudo é monótono e nos mostra porque a tentativa de insistir em planos inertes não é um caminho de satisfação pessoal.

Uma coisa é certeira: um dia você vai se questionar sobre tudo que tem vivido, como tem escolhido os simples detalhes da sua rotina e como tem lidado com a sua companhia. E desde então este ciclo será repetitivo.

Planos traçados, opiniões formadas e de repente algo mais forte e externo desconstrói tudo isso. E esse é justamente o momento de refletir como nós vivemos. Como nós nos comportamos, como agimos para com as outras pessoas, como olhamos para fora... os nossos sentimentos se tornam cada vez mais intensos e a sensação de não-pertencimento a esse mundo vem à tona. Nós nos esforçamos durante tanto tempo para nos adaptar a um desejo extrínseco e tudo isso se desfalece?

A gente sempre usou a possibilidade de se enquadrar em padrões como uma necessidade, uma característica fundamental à vida. A gente deixou de usar as roupas que queríamos, falar do nosso jeito e decidiu olhar para tudo com frieza, indiferença. A gente decidiu se transformar para se igualar porque parece ser mais conveniente. E quem disse isso para a gente? Quem invadiu nossas mentes para plantar a obrigação de andar na risca?

Porque criamos bolhas a nossa volta ao invés de refletirmos e eliminarmos tudo aquilo que nos coíbe? São as reações à possibilidade de sermos diferentes? São as turbulências?

Convenhamos que se esforçar para encaixar-se em um padrão para satisfazer questões externas nunca foi percurso de gente que quer ser feliz do jeito que é. E é por isso que nós vamos seguir, de um jeito ou de outro.

Pode ser que isso seja um sacrifício e que consigamos nos manter estáveis sob linhas muito tênues..., mas é muito mais provável que na metade do caminho percebamos que a possibilidade de ser algo totalmente novo de qualquer coisa desse mundo é ter o privilégio de nunca se preocupar com a discrepância. O mundo dos iguais vive em modo estacionário e o universo dos loucos é um baú de experiências novíssimas.

Portanto, não admitamos que as nossas parcelas de particularidades sejam extintas porque é mais conveniente uma raça pálida, entediada, descrente. Assumamos o compromisso de nos honrar todos os próximos dias, e se fracassarmos, ainda há tempo disposto a mais tentativas.

Transforme-se e faça o possível por todos os outros que estão prestes a se renderem.